Terra Goyazes


30/10/2011


Um Império em Frangalhos

 

 

 

 

Os EUA não sao um país 'normal', analiticamente falando. São um império, e como império deve ser analisado. E uma das premissas básicas sobre os Impérios, é que todos eles caem, um dia. Fatal e inexoravelmente, caem. O economista Delfim Neto diz que todo Império, ou aspirante a Império, deve possuir ou conquistar três independências: a independência alimentar, a independência energética e a independência militar.

Os EUA possuem independência alimentar e militar, mas não possuem a independência energética. Correm desesperadamente atrás do petróleo por onde podem. 90% de seu parque fabril está baseado em um petróleo que não têm! Por causa do petróleo fizeram várias guerras e tentarão fazer outras, já que o cenário de abastecimento de óleo, para eles, e para o mundo, é franca e crescentemente restritivo. Num cenário a curto prazo, o petróleo a $USd 200 o barril é o jato de gasolina que faltava no incêndio da dívida americana, que já ultrapassa 100% do PIB.

Por isso, a guerra do golfo; por isso a guerra do Iraque; por isso o Irã, frequentemente ameaçado; por isso Muamar Kadaffi morto e empalado por guerrilheiros imberbes, a soldo da CIA! Notaram que, coincidentemente, todos esses países são detentores de enormes jazidas de petróleo? Razões de império para tantas coincidências, não é?

Como nada está tão ruim que não possa piorar, a China é outro Império carente de petróleo, em situação um pouco mais desesperadora que os EUA. As recentes descobertas de petróleo nas costas da África (Angola, Nigéria, Moçambique) já foram abocanhadas pelos chineses, que compram de tudo: jazidas, joint-ventures, companhias petrolíferas, licenças de lavra e pesquisa. O cobertor do petróleo disponível no mundo está cada vez mais curto.

Os americanófilos aqui do blog poderão argumentar que os EUA ainda podem contar com o petróleo do Alasca e das areias betuminosas do Canadá. Realmente, as areias betuminosas de Fort Mc Murray, na província de Alberta, possuem, estimadamente, 170 bilhões de barris de petróleo equivalente, o que, convenhamos, é muito pouco, para saciar o consumo americano de 20 milhões de barris/dia. Sem contar que o custo de extração de petróleo das areias betuminosas, além de custoso e altamente poluente, é o mais alto do mundo: mais de USd 30 o barril. Quanto ao petróleo do Alasca, as reservas, estimadas em 10 bilhões de barris, se somadas ao restante das reservas americanas, totalizarão 30 bilhões de barris. Convenhamos, muito pouco para a garganta do Império!

Realmente, o cenário macroeconômico do império norte-americano, que já vinha se deteriorando, piorou bastante com a crise de 2008/2011, agravado ainda com a sandice de duas guerras perdidas a milhares de km de distância de Washington: Afeganistão e Iraque. Como combater  assim, com uma adversidade logística extrema? Guerras assim são 'inganháveis', como descobriu dolorosamente Napoleão, na guerra de 1812, ao levar uma surra de Kutuzov e chegar a Paris com o rabo entre as pernas.

Com um novo choque do petróleo, o império norte-americano ruirá, como de resto ruíram todos os impérios! Enquanto conseguiu compatibilizar Alexis de Tocqueville com John O'Sullivan, os EUA se deram bem. Enquanto conquistavam 'hearts and minds' com o ideário de liberdade, democracia e prosperidade, os satélites do império (Brasil incluso) bancaram o american way of life. Agora, com um cenário de escassez energética, e o Tea Party dando as cartas do jogo político-midiático, a Teoria do Destino Manifesto se impôs em toda a sua ferocidade e os EUA estão mandando Tocqueville e o sonho americano às favas!

 

É o Império em seus estertores!

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 21h40
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