Terra Goyazes


26/03/2011


AS RAZÕES DA IV FROTA

 

CAPÍTULO II  -  O CIO DA TERRA

 

 

 

 

 

 

Dando seguimento às razões da reativação da IV Frota da Marinha Americana, hoje abordaremos mais um tópico que, há tempos, lastreia as preocupações estratégicas do Pentágono: a produção de alimentos. Com uma população de +- 250 milhões de habitantes, os EUA exploram quase todo o seu potencial de terras agricultáveis. Ou seja, a agricultura americana, em que pese a alta produtividade e modernas técnicas de manejo, está beirando a saturação. O Brasil, contrariamente aos EUA, possui uma imensa área de reserva a ser incorporada à produção agrícola. Na safra de 2009/2010, o Brasil plantou em uma área de 65.000.000  de hectares, aproximadamente, colhendo 143 milhões de toneladas.

Pode-se argumentar: esses valores relativos representam muito? Sim, é muito alimento, grande parte exportada. Mas o pulo do gato do Brasil, e os estrategistas do Pentágono sabem bem disso, é o potencial de crescimento da produção agrícola brasileira. Enquanto hoje o Brasil colhe essa imensa safra em uma área de 65.000.000 de hectares, há, no campo brasileiro, uma área de +- 120.000.000 de hectares a ser incorporada ao plantio. Isso sem avançar um metro nas áreas de floresta.

 

 

 

 

Já pensaram no impacto desse aumento na área plantada? O Brasil, que hoje já é o maior produtor de carne bovina, frango, açúcar, café, etanol, algodão, suco de laranja, soja; bem como grande produtor de milho, arroz, feijão, cacau, leite e frutas variadas, com destaque para a uva, com um aumento de área plantada dessa magnitude, se tornará realmente o maior supridor para a alimentação mundial, com todas as implicações geoestratégicas que esse fato irá impor.

Os mais céticos poderão argumentar que isso não quer dizer nada; que os americanos são os maiores importadores do planeta e continuarão importando, pois possuem a moeda-lastro do comércio mundial. Isso, por enquanto. A crise econômica de 2008/2009 mostrou a fragilidade do Império, com o dólar se derretendo feito sorvete no deserto de Nevada. No cenário sombrio que se avizinha, os EUA poderão se ver às portas de um racionamento alimentar de grandes proporções. Quando as rotativas de Omaha já não resolverem o problema (imprimindo o papel pintado que atende pelo nome de dólar), a IV Frota, com seus marines, estarão prontos para entrar em ação.

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Igor Romanov

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 14h58
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