Terra Goyazes


28/10/2013


Sanguessugado do blog do Luís Nassif:

 

O Caso do Racha dos Militares da Reserva

Por Fábio Santos

Comentário no post "Argentina suspende instalação de base militar dos EUA"

Por pertinência ao post, reproduzo postagem do Major Mascarenhas, aqui mesmo no blog do Nassif:

Por Maj. Mascarenhas Maia - 19/03/2012

Comentário do post "Manifesto expõe racha dos militares da reserva"

Prezado Luís Nassif,

Infelizmente somos julgados pela imagem dominante; e essa imagem dominante ainda é a de que os militares deram o golpe militar em 64, derrubando um presidente constitucionalmente eleito, e implantando uma ditadura sangrenta.

Eu refuto essa imagem de plano: os militares, em seu conjunto, não fizeram isso. Uma pequena parcela dos militares fizeram isso. Parcela essa que foi doutrinada, influenciada e levada a agir fora da lei pelos militares norte-americanos, notadamente a partir do final da 2ª guerra. Isso é fato. Décadas de cursos, mimos e agrados em West Point, Valley Forge, Colorado Springs, Annapolis, dentre outras, nos levaram a essa situação. Reconhecê-lo não faz de mim um oficial comunista; reconhecer os fatos históricos e valorá-los pelo real valor, e não pelo valor de face, deve fazer parte de uma análise baseada na defesa racional da soberania brasileira.

Não levanto bandeiras e nem lidero movimento algum dentro da Força. Falo por mim. E o que falo e afirmo é as Forças Armadas brasileiras perdem um tempo enorme discutindo a Lei de Anistia. Embora eu seja, desde o ingresso na Força, um crítico severo do envolvimento das FFAA no movimento de 64, não vejo como anular a Lei de Anistia sem conflagrar o país, opondo novamente militares a civis. Sou curto e grosso: a meu ver, a Presidente, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, deve mandar o ministro da Defesa punir os signatários daquele manifesto bisonho. E ponto final.

Preocupa-me, isso sim, a situação de descaso, penúria e falta de capacidade operativa da Força Armada brasileira, em seu conjunto. Preocupa-me, mais ainda, o verdadeiro cerco que os norte-americanos implantaram ao território brasileiro; um verdadeiro cinturão de bases (fixas e móveis) a nos asfixiar, desde Mariscal Estigarríbia, no Paraguai, até a Amazônia. Isso sim é preocupante. 

Portanto, prezado Nassif, devemos atuar em conjunto, militares e civis, no sentido de recompor minimamente a capacidade dissuasória das Forças Armadas brasileiras. Tanta riqueza exposta (petróleo, água, minérios variados, alguns quase que exclusivamente brasileiros, áreas imensas de terras férteis e intensamente produtivas) e indefesa pode acabar atiçando a cobiça de bucaneiros de todos os matizes. Sinto que é meu dever como brasileiro, e como militar, reiterar esse alerta à nação.

Um abraço cordial

Mascarenhas Maia

Oficial de Infantaria

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 11h20
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20/06/2013


O Verde da Política violentou o Muro dos Gerentes


 

Peço licença ao escritor Ignacio de Loyola Brandão para fazer uma paráfrase de sua grande obra: O Verde violentou o Muro. Tudo a ver com a onda de manifestações que tomam conta das grandes cidades brasileiras. O que está acontecendo? me pergunta aflito um amigo, velho militante do PT e apoiador do governo Dilma. O que esse povo quer, se a situação macroeconômica do país, agora, está muito melhor do que esteve no governo dos tucanos? Concordo com ele. A situação geral do país, hoje, é bem melhor do que no período ruinoso dos governos de Fernando Henrique. Mas há algo mais, respondo ao amigo petista. Há uma insatisfação difusa no ar. Mas o povo não está feliz com o governo, conforme atestam as pesquisas? Estava. Nos 08 anos de governo Lula, o povo, de uma forma geral, se encontrou com sua auto-estima perdida. Lula, como o grande estadista intuitivo que é, sabia sinalizar para as multidões aonde o país estava indo. Balizava um caminho, o trabalhava com a ajuda de ícones simples, porém fortes, sinais inequívocos de uma brasilidade há quase esquecida, e arrastava a multidão atrás de si. Esse é o comandante inato, que aponta um caminho no meio da tormenta e toda a tripulação o segue, resoluta. Feita a troca de governo, o povo descobre em Dilma Roussef uma comandante tíbia, hesitante e, pior, disposta a compor com inimigos que, até há pouco, fustigavam sua embarcação. Os atos de Dilma, fritando ovo na Rede Globo e almoçando com os Frias na Folha de São Paulo, passaram uma mensagem subliminar de rendição a um inimigo que até ali lhe dava um combate feroz.

E isso foi só o começo. Ao sentir o gosto de sangue, a matilha da mídia partidarizada e golpista avançou sobre o governo Dilma de uma forma audaciosa e destemida. Acusações, sem provas, derrubaram vários ministros que, sem nenhuma defesa por parte de Dilma, foram sendo demitidos um a um. Pronto. A mídia golpista e a oposição sem votos haviam conseguido estabelecer uma cunha no governo Dilma, mantendo-a encurralada e nas cordas. Dilma, presidente de um governo petista e de esquerda havia beijado a cruz. Dilma, há pouco eleita com 55% dos votos do país, de forma inexorável havia incorporado a pauta nefasta da direita e da mídia golpistas. Se dúvidas haviam, o abandono do Marco Regulatório da Mídia, proposto por Franklin Martins, as dissipou completamente.

Um exemplo cristalino dessa guinada à direita foi o tratamento dado pelo governo às pautas reivindicatórias do movimento sindical e, de forma emblemática, dos servidores públicos. Acostumado a um diálogo respeitoso durante os governos Lula, os sindicatos se surpreenderam com a arrogância e a dureza de Dilma no processo de negociação. Quando a negociação era com as interlocutoras do governo, os sindicalistas descobriram que as ministras Miriam Belchior, Ideli Salvati e Gleisi Hofmann eram mais duras e inflexíveis que a própria presidente. Ouvi, à época, de mais de um militante do movimento sindical: mas esse é o nosso governo? Esse é o mesmo governo que nós elegemos e que daria continuidade ao governo Lula? Além de bater, de forma dura e desrespeitosa, em todo o movimento sindical durante o processo de negociação, Dilma fez, no serviço público, uma inflexão pendular inversa ao que Lula fizera: ao invés de continuar reconstruindo o serviço público e reforçar o poder decisório do Estado na eterna briga com as elites predatórias, Dilma se rendeu à chantagem midiática e empresarial. Estupefação e desencanto foram as reações dos sindicalistas e servidores públicos: ontem, tratados por Lula como parceiros no processo de reconstrução do Estado, dilapidado pelo tucanato; hoje, tratados por Dilma como adversários e inimigos.

O que aconteceu? perguntava-se à época. Dilma havia sucumbido à síndrome de Estocolmo, aquela em que a vítima se apaixona pelo algoz e introjeta em si todos os valores que até então combatia? Ou Dilma havia se rendido à realpolitik e se convencido que governar com as elites e a mídia era menos custoso e menos desgastante? O fato é que Dilma, refugiada num discurso técnico e gerencial, beijara a cruz do Deus-mercado, passando a repudiar a ação política, como se isso fosse possível no cargo de presidente da República. Para não deixar dúvidas quanto aos novos aliados do governo, Dilma completara a inflexão iniciada lá atrás, quando resolveu afrontar sindicalistas e servidores públicos: passou a conceder gordas e generosas desonerações a setores empresariais variados, os mesmos que até há pouco, mordiam-lhe os calcanhares; os mesmos que sempre bradaram pelo Estado mínimo.

Agora, com a voz rouca da ruas chegando até os salões do Planalto, Dilma deve estar se perguntando: o que deu errado? Esse movimento do Passe Livre, já vitorioso em seu embate principal de redução das tarifas, pode dar-se por satisfeito e se desmobilizar. Ou pode também, financiado e orquestrado pelos novos aliados de Dilma (elite empresarial e mídia parcial e golpista, com uma mãozinha da CIA, é claro) partir pra cima do governo Dilma e exigir-lhe, com acusações difusas, o impeachment. Tardiamente, Dilma descobrirá que errou. E descobrirá também que não é Lula, já que seus interlocutores escolhidos são outros.

Uma voz sensata no governo pode lançar o pedido de socorro aos únicos segmentos que podem salvá-la, se a sanha e a escalada golpistas continuarem: os movimentos sociais, os sindicatos, as centrais sindicais e os servidores públicos. Trágica ironia. Nessa hora, seguramente, ouviremos de sindicalistas e servidores públicos o desabafo: é, dona Dilma, nada como um dia após o outro, com uma noite no meio...e correrão a salvá-la, ainda que a contragosto. Pois, sindicalistas e servidores públicos, sabem bem pra que lado a banda toca. E quem são, de fato, aliados e inimigos.

Salvarão Dilma mas apresentarão a fatura ao PT e à Base Aliada: Em 2014, com Dilma, não dá!

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 10h59
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12/03/2012


Republicado a pedidos

 

A Idade das Trevas

 

 

 

 

Capítulo I - A Precarização do Estado

 

A assunção do tucanato ao poder, em 1994, trouxe ao cenário político nacional não apenas FHC, com seu jeito melífluo e convincente de ser. Não. Trouxe um establishment político‑ideológico‑industrial‑corporativo‑colonial que assumiu os postos de comando do Estado com um apetite jamais visto! Como uma horda de nômades mongóis que chegasse ao conforto urbano, os tucanos plugaram suas ventosas sobre as instâncias decisórias e os cargos da República e passaram a sugar, para si e seus correlatos da iniciativa privada, os recursos do Estado com uma sanha que deixaria os velociraptors colonialistas da Era Bush, Wolfovitz à frente, corados de vergonha!

Como justificativa desse assalto ao aparelho do Estado, os tucanos precisavam de um imbricamento ideológico que lhes desse suporte teórico ao desmanche do conceito e das estruturas do Estado! Com Sérgio "Trator" Mota à frente, os ideólogos do tucanato criaram e difundiram à exaustão, via mídia domesticada e partícipe, a tese de que o Estado era ineficiente, perdulário e inepto! Em contraponto, surgiram os príncipes privatistas tucanos, personificados em Ricardo "No Limite da Irresponsabilidade" Sérgio e em Luiz Carlos Mendonça de Barros, afirmando que a salvação da lavoura e do Estado era o fim do próprio Estado! Eram os arautos do Deus Mercado, tatcheristas tupiniquins e temporões, que vinham para acabar com a farra do investimento público e com o papel regulador do Estado! Diziam abertamente que o Estado fazia mal até suas funções de regulador! E que, pasmem, para regular o mercado, nada melhor que o próprio mercado! É! Espantosa e criminosamente simples assim! E aí Deus (não o Senhor, mas o Mercado) criou as agências reguladoras! E viu que era bom! Muito bom! Principalmente para os amigos tucanos que passaram a comprar as empresas estatais a preço de banana na feira! E tome Embratel, Telebrás, Vale do Rio Doce! Com as agências definindo o quinhão de lucro que cada operadora privada deveria ter! E o lucro haveria de ser grande e duradouro, que ninguém era  besta de empatar dinheiro sem retorno! Enquanto isso, a escumalha (nós, a massa ignara) era bombardeada pela mídia com as notícias de que, agora sim, a coisa vai! Era o fim da Era Vargas! Era o começo do vintenário tucano na Terra Brasilis, profetizado por Sérgio Mota! Vivia‑se um clima de euforia anti‑estatista nas ruas! Servidores públicos eram execrados aos magotes, nas sessões de auto‑elogio do governo! Bresser Pereira bradava colérico: vamos acabar com a farra no serviço público (nunca se chegou a saber exatamente o tipo da farra)! Enquanto os privatistas avançavam sobre o espólio da Viúva, FHC, com frêmitos de gozo, recebia títulos de doutor honoris causam mundo afora!

Hoje, esse cenário parece impossível! Mas, à época não! Os falcões tucanos (um paradoxo insolúvel) estavam inebriados! Haviam descoberto a pólvora das fontes eternais do Estado! Só que esqueceram de um detalhe pequeno: o povo! Enquanto os formuladores tucanos pregavam na igreja do mercado que a extrema competência da iniciativa privada traria prosperidade e bonança para todos, apenas os diáconos tucanos e seus amigos financistas se davam bem! O povo, após a crise russa, desconfiava que havia caído num grande e bem contado conto‑do‑vigário! Num estelionato ideológico sem precedentes! O golpe no fígado veio com a eleição de 2002, com Lula! O uper cut no queixo veio com a reeleição de 2006!

O povo deu o seu recado claro e direto: ele é o dono do Estado e não aceita intermediários! Um segmento dos financistas e operadores insiste na agenda rejeitada pelo povo, na eleição! São os cabeças‑de‑planilha, expressão cunhada por Luis Nassif para definir os yupizinhos com mestrado em Harvard, que ainda insistem em nos impor sua agenda nefasta! São os rebotalhos daqueles tucanos heróicos que pensavam em reinar 20 anos na cena política brasileira! Graças a Deus, deram com os burros n'água! A sociedade brasileira agradece‑lhes o fracasso! A Octaetéride tucana durou o tamanho exato da quase destruição do Estado! Que sirva de vacina e de contra‑veneno para o futuro!

 

 

 Igor Romanov

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 11h42
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30/10/2011


Um Império em Frangalhos

 

 

 

 

Os EUA não sao um país 'normal', analiticamente falando. São um império, e como império deve ser analisado. E uma das premissas básicas sobre os Impérios, é que todos eles caem, um dia. Fatal e inexoravelmente, caem. O economista Delfim Neto diz que todo Império, ou aspirante a Império, deve possuir ou conquistar três independências: a independência alimentar, a independência energética e a independência militar.

Os EUA possuem independência alimentar e militar, mas não possuem a independência energética. Correm desesperadamente atrás do petróleo por onde podem. 90% de seu parque fabril está baseado em um petróleo que não têm! Por causa do petróleo fizeram várias guerras e tentarão fazer outras, já que o cenário de abastecimento de óleo, para eles, e para o mundo, é franca e crescentemente restritivo. Num cenário a curto prazo, o petróleo a $USd 200 o barril é o jato de gasolina que faltava no incêndio da dívida americana, que já ultrapassa 100% do PIB.

Por isso, a guerra do golfo; por isso a guerra do Iraque; por isso o Irã, frequentemente ameaçado; por isso Muamar Kadaffi morto e empalado por guerrilheiros imberbes, a soldo da CIA! Notaram que, coincidentemente, todos esses países são detentores de enormes jazidas de petróleo? Razões de império para tantas coincidências, não é?

Como nada está tão ruim que não possa piorar, a China é outro Império carente de petróleo, em situação um pouco mais desesperadora que os EUA. As recentes descobertas de petróleo nas costas da África (Angola, Nigéria, Moçambique) já foram abocanhadas pelos chineses, que compram de tudo: jazidas, joint-ventures, companhias petrolíferas, licenças de lavra e pesquisa. O cobertor do petróleo disponível no mundo está cada vez mais curto.

Os americanófilos aqui do blog poderão argumentar que os EUA ainda podem contar com o petróleo do Alasca e das areias betuminosas do Canadá. Realmente, as areias betuminosas de Fort Mc Murray, na província de Alberta, possuem, estimadamente, 170 bilhões de barris de petróleo equivalente, o que, convenhamos, é muito pouco, para saciar o consumo americano de 20 milhões de barris/dia. Sem contar que o custo de extração de petróleo das areias betuminosas, além de custoso e altamente poluente, é o mais alto do mundo: mais de USd 30 o barril. Quanto ao petróleo do Alasca, as reservas, estimadas em 10 bilhões de barris, se somadas ao restante das reservas americanas, totalizarão 30 bilhões de barris. Convenhamos, muito pouco para a garganta do Império!

Realmente, o cenário macroeconômico do império norte-americano, que já vinha se deteriorando, piorou bastante com a crise de 2008/2011, agravado ainda com a sandice de duas guerras perdidas a milhares de km de distância de Washington: Afeganistão e Iraque. Como combater  assim, com uma adversidade logística extrema? Guerras assim são 'inganháveis', como descobriu dolorosamente Napoleão, na guerra de 1812, ao levar uma surra de Kutuzov e chegar a Paris com o rabo entre as pernas.

Com um novo choque do petróleo, o império norte-americano ruirá, como de resto ruíram todos os impérios! Enquanto conseguiu compatibilizar Alexis de Tocqueville com John O'Sullivan, os EUA se deram bem. Enquanto conquistavam 'hearts and minds' com o ideário de liberdade, democracia e prosperidade, os satélites do império (Brasil incluso) bancaram o american way of life. Agora, com um cenário de escassez energética, e o Tea Party dando as cartas do jogo político-midiático, a Teoria do Destino Manifesto se impôs em toda a sua ferocidade e os EUA estão mandando Tocqueville e o sonho americano às favas!

 

É o Império em seus estertores!

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 21h40
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24/10/2011


Uma Primavera Árabe Udenista

 

 

*Edmilson Lopes Júnior

 

 

Há algo de inusitado no comportamento de certos setores da imprensa brasileira em relação às manifestações contra a corrupção: saíram do apoio em matérias e editoriais para, suprema ousadia, dirigi-las desde as redações. Apelando às chamadas "redes sociais", sonham com massas sublevadas entoando slogans que reafirmem a sua pauta conservadora, com destaque para o voto distrital.

Em que pese o raquitismo das manifestações, as manchetes de alguns jornais e de certa revista semanal remetem-nos a um mundo parecido com aquele da Praça Tahir, no Cairo, nos dias que precederam à queda do ditador Hosni Mubarak. Tudo se passa como se o país estivesse ruindo e uma nova ordem prestes a emergir. Obviamente, não descarto a possibilidade de que parcelas da população se deixem seduzir pelo canto da sereia e, em um futuro próximo, tomem as ruas e praças das grandes cidades brasileiras com antigas bandeiras da UDN nas mãos. Não parece ser essa a possibilidade mais forte, no entanto.

Quem, em domínio razoável de suas faculdades mentais, colocar-se-ia contra o combate à corrupção? O problema é que sabemos, pelo menos desde os tempos em que Carlos Lacerda incitava os militares contra Getúlio Vargas, que essa é a "bandeira de luta" que resta aos que não possuem mais bandeiras no terreno da política. O moralismo é o ocaso de qualquer política. É, acima de tudo, a aversão conservadora ao embate de posições no espaço público. Especialmente quando essas posições são alimentadas por interesses legitimamente construídos no duro chão da vida social.

O udenismo é a configuração histórica mais vistosa do moralismo na política brasileira. E a sua grande vitória política foi a eleição de Jânio Quadros, em 1960. A contribuição do "homem da vassoura" à miséria política nacional, sabemos todos, não foi pequena. Nem falemos das "Senhoras de Santana", as avós ideológicas dos manifestantes anticorrupção de nossos dias.

O udenismo mudou de cara, mas não tem como alterar radicalmente suas práticas. Sua produção discursiva mira depreciativamente pessoas, especialmente àquelas cujas trajetórias traduzem, mesmo que simbolicamente, a ascensão política "dos de baixo". Getúlio Vargas, ontem; Lula, hoje. E se houver alguma possibilidade de tomar como alvo um ministro negro, pode-se esperar linchamento político.

Quando analisamos os discursos produzidos pelos combatentes anticorrupção nas ditas redes sociais damo-nos conta de que a fantasia de uma "primavera árabe" nos trópicos é apenas mais uma farsa em uma história já farsesca em demasia. Nesses discursos, caso alguém tenha paciência de sistematizar uma análise de seus conteúdos, escreve-se sobre corrupção, mas o alvo são os pobres e os nordestinos. Nada de novo, portanto.



*Edmilson Lopes Júnior é professor de Sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (RN).

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 09h55
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28/05/2011


 

Réquiem para Higienópolis City

 

 

 

charge: Aroeira

 

 

 

Uma Incelença

de Nosso Sinhô

Veste esta mortalha

Foi Deus quem mandô

 

 

 

Vocês estão mortos. Ou para usar idioma tão sonoro aos vossos ouvidos refinados: You're dead guys! Começaram a morrer em 2003, quando o Barbudo tomou posse. No início, nem desconfiaram que era a morte. Não. Dariam um jeito de cortar as asinhas do Barbudo e fá-lo-iam beijar a cruz do Deus-Mercado. E apesar disso, o Barbudo resistia a se enquadrar. Então, com toda a elegância e parcimônia acionaram o dândi Dantas, o OVS (olhos verdes sensuais), o Brilhante, o Pode-Tudo, o Manda-Brasa, o Rompe-Racha (com sua licença, mestre Rosa). E aí veio o Mensalão. Que coisa mais bonita de se ver: injetaram nas veias de Delúbio o sangue azul usinado nas entranhas mais nobres do tucanato e vertido pelos vasos fartos de Marcos Valério, e corromperam desde a medula o mandarinato petista deslumbrado com o acesso aos templos da elite! Agora sim, o Barbudo veria a cor da rosa e o preço de desafiar os donos do Brasil. Sim, porque o Brasil estava predestinado, desde sempre, a ser de vocês! Que outro segmento social vergava a espinha para o Império com tamanho charme? Que outros acadêmicos agradavam tanto os think thanks do Pentágono, como FHC e outros pensadores tucanos? Que outros chanceleres tiravam os sapatos na Aduana americana com tanta desenvoltura e esmero?

 

Naquele fatídico ano de 2005 vocês perderam a embocadura, eu sei. Vocês lamentam isso até hoje, e, veladamente, jogam toda a culpa nas costas de FHC, seu filho mais ilustre. Era para se ter liquidado com o Barbudo sem dó nem piedade, impeachmando-o liminarmente. Mas não, foram ouvir FHC e seu méthode peu à peu. Deram com os burros n'água! Descobriram isso, amargamente, quando viram Alckmin vestir camisetas da Petrobrax, êpa, Petrobrás, dando loas ao BB e Caixa, num arroubo de estatismo tardio que mataram-vos de desgosto. É, vocês sofreram muito com aqueles dias de ira. Mas o vosso sofrimento aumentaria exponencialmente com a reeleição do Barbudo. Hordas de farofeiros invadiam vossos aeroportos, debutando, quais pinto no lixo, nas viagens aéreas! Oh, quanto sofrimento, disputar com aquela bulha de noviços um espaço na fila do check-in! Atroz sofrimento se repetia, inclusive, nas viagens internacionais, ora veja!

 

Mas como nada está tão ruim que não possa piorar, vocês descobriram que o doce sentimento de exclusividade havia acabado. Além dos aeroportos abarrotados com os noveaux voyageurs que o Barbudo despejava no Mercado com suas toscas políticas distributivas, vocês descobriram-se, de repente, cercados num trânsito infernal, caótico e entupido de carros mil cilindradas, dirigidos perigosamente por um bando de pobres, recém-saídos do lumpesinato e buzinando alucinados e conspurcando as vias, até então, palco de um tráfego singular de mercedez, BMWs, Maseratis e Jaguares. Oh, quão difíceis aqueles dias! Vocês devem ter entupido os consultórios dos analistas de Higienópolis, nessa época infausta. Reportou-se, inclusive, alguns suicídios naqueles tempos bicudos. Sem contar a escassez de material de construção, todo ele sugado para a construção dos puxadinhos da pauvreté sans culotte!

 

Não sei se foi ai, nesse espaço-tempo tão ruinoso, que vocês tiveram a brilhante ideia de terceirizar para a grande mídia a tarefa de fazer oposição. Desacorçoados (que palavra) com a inépcia de seus representantes, vocês delegaram à imprensa a tarefa de combater o Barbudo apedeuta e seu partido vermelho, que haviam desarranjado um arranjo social que funcionava com perfeição, há séculos. Em 2006, operou-se um teste singular, no episódio do dossiê dos aloprados. Ali, vocês jogaram um pedaço de carne sanguinolenta para a matilha da mídia, e viram, satisfeitos, que era bom. À inaptidão e incompetência de PSDB, DEM e PPS, vocês responderam com uma sacada genial: a imprensa, concessionária de espaços públicos e interesses privados, tornava-se a operadora política de fato, e partia para cima do Barbudo e sua corja, de maneira muito mais expedita e resoluta. Foi um achado, cochichavam vocês em seus petit comité na praça Vilaboim. E descansaram no sétimo dia, com um cálice de chardonnay, que ninguém é de ferro!

 

Mas agora, passada a borrasca da campanha de 2010, onde vocês jogaram o tudo ou nada, vocês se perguntam: o que fizemos de errado? Fizeram Serra abraçar a escória dogmática das igrejas católica e evangélica e pregar um terrorismo religioso sem precedentes e mesmo assim a fantoche de saias do Barbudo levou a melhor! Fizeram Serra prometer à Chevron que, se eleito, entregaria o pré-sal para as petroleiras internacionais, a ver se cativava um apoio mais explícito do Império! E nada! O que desandou? Transformaram a mídia, de incipiente parceira a agente política agressiva e feroz, em vossa trincheira principal e... nada!

 

Para desalento de vocês, mesmo o que era muito ruim vai se tornando insustentável. Após a posse de Dilma Roussef no cargo de presidente, as legendas de oposição, que amargaram grave redução numérica no Parlamento, entraram em um processo de liquefação orgânica e doutrinária sem precedentes. Isso acendeu o vosso sinal vermelho de alerta e de seu quartel-general, FHC deu o brado retumbante: Façam alguma coisa! E a coisa está sendo feita: vazados por um secretário serrista da prefeitura de São Paulo, dados sigilosos de uma empresa de Antônio Palocci vieram a furo e daí seguiram o esquema costumeiro: um dos veículos de mídia é escolhido para ser o propagador, divulga a notícia, editada ao modo do freguês, os outros veículos vem atrás, repercutindo, os colunistas bate-paus deblateram, apopléticos em suas colunas, e, ao fim e ao cabo, um parlamentar da oposição corre em desabalada carreira, a colher assinaturas para uma CPI.

 

Esse roteiro, verdadeiro modus operandi da oposição, é repetido desde 2006, sem sucesso. O que vos leva a supor que, agora, dessa vez, dará certo? O que fez Palocci diferente de Malan, Pérsio Arida, Ricúpero? Nada. Até Maílson da Nobrega, verdadeira nulidade em termos acadêmicos e econômicos, defende o leite das crianças vendendo consultoria. Então, vocês apostam que, revigorados por uma mídia muito mais virulenta, agora a coisa vai? Nada leva a essa direção, lamento vos dizer. E mais: liberado do mandato presidencial e transformado num Ubermensch (aquilo que não mata, me fortalece), Lula está aí, com a musculatura tesa e dentes afiados, pronto a lhes morder o calcanhar.

 

Aceitem o fato: vocês estão mortos. Nem mais uma quartelada decente vocês podem dar. Os militares, hoje cientes que sempre fizeram o serviço sujo para vocês, dessa vez se negam a fazê-lo. Sem contar que as vossas proposições entreguistas, no que toca ao petróleo e outras jazidas minerais, incomodam a cada vez mais militares, majoritariamente nacionalistas. Enfim, aceitem que estão mortos. Aceitem que a mídia, a vossa parceira de infortúnios, outrora detentora do poder de alçar e depor presidentes, está acabada, reduzindo-se a quatro grandes (ainda) grupos midiáticos e uma meia dúzia de colunistas aloprados, que resistem furiosos, relembrando como era belo e doce o mundo, antes de ser corrompido pela pobraiada emergente. Vocês subestimaram a internet. Subestimaram a Blogosfera, como o agente do novo; como o novo instrumento de poder autóctone, gerado a partir de um teclado e de uma ideia. Um pobre com um laptop na mão é uma desgraça para vocês! É um Glauber Rocha virtual, a fazer mais estragos que Terra em Transe!

 

Portanto, repito: vocês estão mortos! E nada do que fizerem, mudará esse axioma!

 

 

Higienópolis jamais será a mesma!

 

 

Trail's end for you!

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 19h06
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17/04/2011


DA SÉRIE: RESCALDOS DA CAMPANHA DE 2010 - O ATAQUE A LUÍS NASSIF

 

 

 

Não deveria causar espanto à Blogosfera os recentes ataques do Estadão ao jornalista Luís Nassif. É o fogo de resposta, derivado ainda da grande batalha que foi a campanha eleitoral de 2010. Embora não seja falso atribuir os ataques à sanha vingativa de Serra, o que acontece agora, a exemplo dos ataques da Veja e, de maneira mais parcimoniosa, da Folha e do Globo, compoem um todo coerente e articulado. Fazem parte de um método sistematizado e que tem sido a espinha dorsal de atuação do que Paulo Henrique Amorim nominou apropriadamente de PIG - Partido da Imprensa Golpista.

Tais ações por parte do PIG se dividem em duas partes: ações estratégicas, de fundo, ordenadas pelo Bureau, que dirige tanto as as ações midiáticas quanto as ações políticas da oposição (leia-se PSDB, DEM e PPS); e ações táticas, visando o ramerrame ordinário. As primeiras, que eu nomino de ações de longo curso, são como uma espécie de grade curricular da mídia engajada: ao comando do Bureau, saem a campo, como uma matilha de cachorros enfurecidos, a cumprir as ordens do dono. Fazem parte desse rol de ações de longo curso, aquelas destinadas a enfraquecer o governo Dilma, bem como aquelas visando a desconstrução imagem de Lula. Os iluminatti do Bureau decidiram que sem levar a cabo essas duas medidas, a oposição será, de novo, esmigalhada em 2014. Um exemplo comovente de como o PIG cumpre fielmente as ordens recebidas: na viagem da presidente Dilma à China, tirante as diferenças de matiz e enfoque, era unânime o esforço dos quatro cavaleiros do apocalipse (Folha, Estadão, Globo e Veja) em realçar o fracasso antecipado da viagem. As segundas, dentro das quais se inserem os assassinatos de reputação em série, são ações de varejo, permitindo aí, uma certa liberdade de manobra para os gerentes, os operadores braçais do Bureau. Estão inclusos aí os devaneios vingativos de Serra, os delírios imperiais de Eurípides Alcântara e os ataques de Gandour.

E aí me perguntam: mas quem compõe esse Bureau? Quem são os capas-pretas que infelicitam tanto, e por tanto tempo, a nação? A resposta, como o diabo, está nos detalhes. Quem trabalhou diuturnamente para derrubar Lula, nos oito anos de seu governo? Quem obrou ininterruptamente para impedir o marco regulatório das imensas jazidas do pré-sal? Quem concede bolsas generosas a jornalistas e parajornalistas para cursos intensivos, aqui e alhures, tendo como pano de fundo a preocupação com a 'democracia' e a liberdade de imprensa?

Diante da complexidade desse quadro, os ataques a expoentes dos blogs sujos assumem mais o caráter de desespero do que de ação articulada. A derrota eleitoral de 2010 ainda não foi assimilada. O próprio Nassif, um dos expoentes mais visíveis da Blogosfera progressista, sabe disso. Nós sabemos do jogo e dos riscos inerentes a ele. Nós somos o osso entalado na garganta do Bureau. E por sabermos disso, convém cuidarmos da retaguarda. O que está em jogo é algo muito grande. 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

 

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 01h22
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26/03/2011


AS RAZÕES DA IV FROTA

 

CAPÍTULO II  -  O CIO DA TERRA

 

 

 

 

 

 

Dando seguimento às razões da reativação da IV Frota da Marinha Americana, hoje abordaremos mais um tópico que, há tempos, lastreia as preocupações estratégicas do Pentágono: a produção de alimentos. Com uma população de +- 250 milhões de habitantes, os EUA exploram quase todo o seu potencial de terras agricultáveis. Ou seja, a agricultura americana, em que pese a alta produtividade e modernas técnicas de manejo, está beirando a saturação. O Brasil, contrariamente aos EUA, possui uma imensa área de reserva a ser incorporada à produção agrícola. Na safra de 2009/2010, o Brasil plantou em uma área de 65.000.000  de hectares, aproximadamente, colhendo 143 milhões de toneladas.

Pode-se argumentar: esses valores relativos representam muito? Sim, é muito alimento, grande parte exportada. Mas o pulo do gato do Brasil, e os estrategistas do Pentágono sabem bem disso, é o potencial de crescimento da produção agrícola brasileira. Enquanto hoje o Brasil colhe essa imensa safra em uma área de 65.000.000 de hectares, há, no campo brasileiro, uma área de +- 120.000.000 de hectares a ser incorporada ao plantio. Isso sem avançar um metro nas áreas de floresta.

 

 

 

 

Já pensaram no impacto desse aumento na área plantada? O Brasil, que hoje já é o maior produtor de carne bovina, frango, açúcar, café, etanol, algodão, suco de laranja, soja; bem como grande produtor de milho, arroz, feijão, cacau, leite e frutas variadas, com destaque para a uva, com um aumento de área plantada dessa magnitude, se tornará realmente o maior supridor para a alimentação mundial, com todas as implicações geoestratégicas que esse fato irá impor.

Os mais céticos poderão argumentar que isso não quer dizer nada; que os americanos são os maiores importadores do planeta e continuarão importando, pois possuem a moeda-lastro do comércio mundial. Isso, por enquanto. A crise econômica de 2008/2009 mostrou a fragilidade do Império, com o dólar se derretendo feito sorvete no deserto de Nevada. No cenário sombrio que se avizinha, os EUA poderão se ver às portas de um racionamento alimentar de grandes proporções. Quando as rotativas de Omaha já não resolverem o problema (imprimindo o papel pintado que atende pelo nome de dólar), a IV Frota, com seus marines, estarão prontos para entrar em ação.

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Igor Romanov

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 14h58
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03/01/2011


AS RAZÕES DA IV FROTA

 

 

CAPÍTULO I - O PLANETA ÁGUA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muito se especula sobre as razões da recriação da IV Frota, parte do Comando Sul da Marinha Americana, com o raio de ação basicamente na região do Atlântico Sul. Este Blog acredita que não há apenas uma razão para tal medida, e sim um conjunto de razões suficientemente fortes para justificar o ato. Razões de Império, orientadas desde o seu nascedouro pela Teoria do Destino Manifesto, forjadora da nação americana com a configuração que ela tem hoje.

A partir de hoje, este blog analisará as principais razões que levaram o governo americano a mais esse ato expansionista. Começando pelo acesso e controle da água.

Observadores mais argutos dirão que é um contrassenso nossa teoria. Argumentarão que os americanos, com o grande complexo hidrográfico do Mississipi-Missouri, jamais terão escassez de água. Concordo. É a lógica. Mas os EUA, desde O’Sullivan, mandam a lógica às favas, guiando suas ações pela diplomacia das canhoneiras; vislumbrando sempre um fundo expansionista em suas relações com os outros Estados. A frase-lema de James Buchanan “A expansão dos Estados Unidos sobre o continente americano, desde o Ártico até à América do Sul, é o destino de nossa raça (...) e nada pode detê-la.", permanece até hoje no frontispício da Casa Branca.

Estudiosos e agentes do governo americano pesquisam o déficit hídrico mundial, há décadas. E sabem que, se hoje temos um quadro grave na oferta hídrica mundial, a médio e longo prazos, o que é grave se tornará dramático. Países que hoje já padecem de restrições no consumo de água, como China, índia, Irã, Argélia, Egito, México e Paquistão, no ritmo atual de crescimento no consumo, terão, daqui a algumas décadas, que comprá-la de países que a terão em abundância. Não é exercício de futurologia, nem teoria da conspiração, aventarmos a hipótese de que, num futuro não muito distante, a água ser uma commodity mais cara e estratégica que o petróleo.

Nesse cenário adverso de escassez de água, temos configurado o jogo bruto do mercado: os países grandes produtores se tornarão exportadores de um bem limitado e caro. Quem tiver o controle dos grandes reservatórios de água dominará as relações mercantis; ou seja, os países grandes produtores de água, reunidos talvez numa OPEA ( Organização dos Países Exportadores de Água), ditarão o preço e a quantidade da água que venderão. É a lógica do velho, puro e bruto capitalismo! Puro e sem gelo, evidentemente.

Bom, e o que isso tem a ver com a IV Frota? perguntarão os áulicos de sempre. Tem que o Brasil consegue reunir em seu território uma conjunção de fatores, únicos no planeta, que o tornam dotado de um excepcional superávit hídrico. Além de possuir a maior bacia hidrográfica do planeta, a Amazônica, o Brasil, conta com mais de uma dezena de importantes bacias, possuindo aproximadamente 13% da água doce do planeta. Sem estar devidamente mensurado o seu potencial aqüífero, visto que os dois maiores aqüíferos do planeta estão aqui localizados, o Guarani e o Alter do Chão. Dados preliminares indicam para o aqüífero Alter do Chão um volume de 86 mil Km³ de água, e 45 mil km³ para o Guarani. Por muito menos, as canhoneiras do Tio Sam lamberam a metade do México.

Posto esse cenário, fica a indagação: o que o Brasil deve fazer, diante de um ato potencialmente intimidatório como esse? Bom, este blog não tem a pretensão de ensinar padre a rezar missa, nem ensinar o governo a governar nem a defender a soberania do país. Uma tarefa que a Blogosfera pode e deve fazer é a de abrir a discussão, alertando o povo e as autoridades acerca da gravidade do quadro. Talvez um bom começo tenha sido a criação da ANA – Agência Nacional de Águas, levada a cabo pelo governo Lula, para disciplinar e racionalizar o consumo de água no país. Outro importante passo seria, talvez, a formatação  de uma nova política nacional de defesa, que levasse em conta todas essas condicionantes e que desaguasse num fortalecimento do poder dissuasório das Forças Armadas do país.

 

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

Igor Romanov


 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 16h29
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26/12/2010


VEM AÍ A NOVA SÉRIE DO BLOG:

 

 

AS RAZÕES DA 4ª FROTA

 

 

 

 

 

 

 

 

Breve, neste Blog

 

 


Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 21h55
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31/10/2010


BRASIL: VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA

 

 

 

 

 

 

DILMA VANA ROUSSEF

 

Presidente da República Federativa do Brasil

 

__ Contra a mídia parcial, golpista e canalha;

__ Contra a oposição golpista e acanalhada;

__ Contra alguns segmentos religiosos intolerantes e também acanalhados;

__ Contra uma pseudo-elite rica, branca e separatista, cujo sonho é rapinar o país e morar num puxadinho em Miami;

Apesar de todos eles, o Brasil venceu!

Viva o povo brasileiro!

 

 

Alberto Bilac de Freitas

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 19h56
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12/10/2010


POLÍTICA HABITACIONAL DOS TUCANOS:

 

 

POBRE NÃO PRECISA DE CASA, PRECISA DE PUXADINHO

 

 

 

 

 

 

 

 

Roberto Ilia Fernandes

 

 

Escrito por Roberto Ilia às 18h39
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08/10/2010


A Direita Ruge

*Marcelo Carneiro da Cunha

 

Estimados leitores, sim, a direita existe. Papai Noel talvez não exista assim lá muito concretamente, existem dúvidas quanto a real natureza dos duendes e da Jessica Alba, eu sinceramente creio que pensar em OVNIS é absoluta falta de tempo ou noção, e nunca vi uma mulher dotada de senso de humor, portanto, acho que não existem.

Mas, a direita, estimados leitores, existe.

Ela faz que não, jura que se reformou e agora adora a humanidade, inclusive a que não possui conta em paraíso fiscal; ela assegura a quem estiver por perto que essa coisa de direita é ultrapassada e agora somos todos de centro, mas isso é, nas palavras da minha boa, sólida e direitista avó Jovita, papo pra boi dormir.

A direita, estimados leitores, está aqui ao nosso redor, louquinha pra mostrar o que é bom pra tosse. Ela fez que saiu de cena e se mandou para o Maranhão, onde os Sarney cuidam de tudo e ninguém diz ai sem saber para que lado o vento sopra, mas não é verdade. Ela está aqui, ela está ali, ela está em toda parte, e sempre do lado da sombra, que é onde ela se sente mais à vontade.

Se você caiu nesse conto do vigário e do bispo, de que a direita não existe, lembre que tanto o vigário quanto o bispo são os representantes dela vestidos em robes esquisitos ou em ternos de mau-gosto. Eles detestam as minorias, não é? Eles não querem saber de gays tendo os seus direitos constitucionais respeitados, não é? Mulher é tão inferior que não pode ser ordenada, não é mesmo?

A direita faz que não está ali, que agora entrou pro mercado de ações e aprendeu a se comportar, mas ela é a mesma, estimados leitores. Ela não gosta de liberdades, tem pavor dessa tal de democracia, com a qual ela finge que concorda porque não há outro jeito. Ela nunca engoliu o sapo barbudo, e foi engolida por ele, mas não se conforma.

A direita descobriu a internet, estimados leitores, e nos encheu de emails sobre o horror do PT e o fim do mundo que o Lula aprontou pra todos nós. Você não recebeu toneladas de mails raivosos e rabugentos nesses tempos e mesmo antes deles? Como se parecem esses mails? Eles não têm sabor de veneno e olhar de predador louco pela sua carcaça? Eles não ficam lhe avisando para se cuidar com tudo que está ali fora? Eles não lhe avisam que o que está ali fora quer terminar com a civilização ocidental e o direito divino dos que sempre tiveram tudo de continuar tendo? Eles não são basicamente contra tudo?

A única desvantagem séria que a direita tem em relação ao resto do mundo, é que ela pode ser desprovida de respeito por você e de escrúpulos com relação a tudo, mas, felizmente, ela é burra. Ela ruge contra tudo que está aí, mas ela não compreende quase nada do que acontece. Ela grita, mas não sabe, ela reclama, mas não propõe. Algum dos emails que você recebeu propunha alguma coisa que fosse utilizável por um cidadão de bem, ou não passava de denuncias tão malucas quanto improvadas?

A direita, estimado leitor, não está nem aí para as provas, ou para a razão, pois ela não precisa de nada disso para viver. Para ela, basta a raiva. Algum email que você recebeu era raivoso?

A direita se faz de boazinha e carola, e a gente diz, óoooo, que terna! Aí vem a eleição, e a maioria do povo não se mostra simpática a ela, e ela mostra o seu real rosto, em sua sublime feiúra. Sabe criança que se faz de boazinha, aí você diz não e ela abre o berreiro? Você recebeu algum email com berreiro recentemente?

A direita sabe de ódio de classe, estimados leitores. Ela não entende, não aceita, não imagina um mundo de iguais. Ela diz que o Bolsa Família está destruindo a sociedade porque agora os mais pobres preferem não fazer nada a trabalhar nas casas deles. Você não recebeu mail sobre isso? Sobre os pobres preguiçosos que não querem mais trabalhar por migalha? Ela suportou o Lula porque não havia muita escolha e ele era espero demais para ela, mas agora quer vingança. Você recebeu emails pedindo vingança, estimado leitor?

Alguns de vocês talvez achem que o nome do sistema define se ele é esquerda ou direita. Basta o partido ter social no nome para ser de esquerda. E portanto, nenhum partido é de direita, já que nenhum se anuncia assim. Não é o nome, estimados leitor, mas a atitude. Alguém aí duvida que o tal de DEM é de direita? Mas ele não se anuncia assim, não é?

Assim, estimados leitores, e para simplificar as coisas, o Chavez é de direita, assim como o Bibi. O odioso Ahmadinejad e seus aitatolás são pra lá de Bagdá, se o assunto é direitismo. Cuba é de direita, a Rússia idem. A Europa Ocidental é toda de esquerda, em matizes que variam em torno da clássica social-democracia, o Brasil tem sido governado de um jeito de centro esquerda, a Argentina é peronista, o que quer dizer que não há como saber de que lado ela fica. Os Estados Unidos são de direita, mesmo que o Obama não seja ou goste disso, e a direita deles é ainda muito, mais muito cheia de raiva do que a nossa, até agora.

Uma colunista foi demitida de um grande jornal de São Paulo simplesmente por escrever uma coluna que discordava da linha editorial do jornal, que é de direita. A imprensa brasileira, toda ela, não se assume de direita e diz que essas coisas não existem e que a imprensa é livre.

A colunista de um grande jornal de direita acaba de ser demitida por ser livre. Quem não gosta de liberdade são eles. Quem não sabe o que fazer com ela, são eles. Quem inventou que eles eram democratas, foram eles. Não são, deixaram isso claro, e, portanto, colocaram à mostra os seus mesmos e enormes dentes.

A direita, estimados leitores, existe e ruge. O que você acha disso diz muito do que você é, do que o seu voto vai ser, e do que esse país vai se tornar.

 

* Marcelo Carneiro da Cunha é jornalista e escritor

 

Escrito por Roberto Ilia às 13h56
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25/09/2010


A IDADE DAS TREVAS

 

CAPÍTULO VII - O SUPREMO SONHO TUCANO: TRANSFORMAR O BRASIL NUM IMENSO PARAGUAI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando esse ensaio for postado no blog, estaremos no auge da campanha eleitoral de 2010. Então, podemos afirmar que a análise aqui contida está embasada em duas pernas: a do passado, baseada na análise do que foi a octaetéride Fernandina (de FHC); e a do futuro, também lastreada no passado condenável do tucanato, que, a despeito da nova roupagem com que se apresentarão no embate eleitoral de 2010, desvelará as reais intenções do candidato tucano José Serra, em relação a temas relevantes da vida política nacional.

Certamente, para fugir ao estigma de privatista, carimbado eficazmente em sua testa durante a campanha eleitoral de 2006, o tucanato vestirá uma roupagem nacionalista e de defesa da soberania nacional, na refrega eleitoral de 2010. Serra tentará operar uma mudança em relação ao discurso tucano e, principalmente, ao período ruinoso de FHC no poder. O núcleo duro do poder serrista dentro do PSDB tentará uma clivagem definitiva em relação à gênese do tucanato, lá atrás, nos primórdios da Fundação Ford, quando ambos, Serra e FHC, foram preparados, no ápice da guerra fria, para chegarem ao poder no Brasil e servirem de diques de contenção a uma possível esquerda que vicejasse no hemisfério. O pragmatismo da Casa Branca nem sonhava que apareceria um Lula.

Voltando à tentativa de transmutação do tucanato em 2010, importante salientar que Serra sempre manteve um discurso desenvolvimentista, fazendo o contraponto ao monetarismo desbragado de Malan, abraçado por FHC. Puro jogo de cena. Como foi jogo de cena o auto-exílio de FHC no Chile. No cenário da realpolitik gestada desde a cooptação deles pela Fundação Ford, importava divergir no acessório para preservar o essencial. Assim, ambos, FHC e Serra, fariam o pêndulo: FHC mais monetarista/liberal/entreguista e Serra mais desenvolvimentista/estatista/nacionalista. E nessa oscilação pendular, manter a estratégia americana de um Brasil sob o controle americano sob todas as hipóteses.

Remontando ao título do post, em que se constituía o supremo sonho tucano, ao assumir o poder em 1995? Em que fonte bebiam os ideólogos do tucanato? Que projeto de país acalentavam, a ponto de Sérgio Mota vaticinar um vintenário tucano na Terra Brasilis? Inebriado pelo sucesso do neoliberalismo em todo o mundo ocidental e seguindo uma xaropada ideológica, que se constituía num mix de Friedrich Hayek e Francis Fukuyama, compilada pelos Chicago Boys e aplicada a golpes de vara pelos falcões da era Reagan/Bush, o tucanato aderiu gostosamente a uma política do Império para controlar suas colônias e mantê-las sob um verniz de independência.

Os formuladores econômicos do tucanato, como André Lara Resende, Pérsio Arida, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Francisco Lopes e outros, estavam convencidos de que o neoliberalismo globalizado que nos era enfiado goela abaixo, era inevitável e que, após o fim da guerra fria, o fim da história preconizado por Fukuyama era uma questão de tempo. Com o fim da bipolarização com o bloco soviético, o capitalismo americano ganhara a parada. E na nova ordem unipolar que se inaugurava, haveria o bloco hegemônico, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco dos liderados, gravitando em redor da matrix americana feito mariposas mendigando um pouquinho de luz do império. E quem, do bloco periférico, tivesse um pouquinho mais a oferecer aos senhores do império, sentaria à direita de Deus Pai.

E foi assim que o tucanato, ao assumir o poder em 1995, entregou aos americanos um pacote completo de submissão ao imperialismo colonialista, travestido de globalização. Dentre os países do bloco periférico, era o mais ambicioso projeto de submissão de um país a outro, feito endogenamente. Os pontos mais relevantes desse projeto eram:

__ A implementação, a ferro e fogo, da teoria do Estado Mínimo, com a consequente onda de privatização de empresas estatais, de demissão de funcionários públicos, de terceirização de serviços públicos e o desmantelamento da estrutura do Estado;

__ A assunção, em todos os postos-chave da administração pública, de homens de confiança do Mercado. A Petrobrás foi um caso emblemático desse aparelhamento. (Quem não se lembra da política desastrosa dos dirigentes tucanos da Petrobrás, com o afundamento de plataformas, queda de investimentos e nos lucros, com o fim exclusivo de preparar sua privatização?);

__ Mesmo com um Estado mínimo, implementar uma política de esterilização da ação do Estado. (A concepção das agências reguladoras foi um passo importante no sentido de privatizar a ação do Estado. Uma vez colocado no comando de uma agência dessas, o presidente teria mais poder e ação efetiva que o próprio presidente da República, em ações de Estado afetas àquela agência);

__ Na área econômica, o governo tucano manteve uma política de gerar sucessivos déficits em conta corrente, incentivando as importações e mantendo uma política cambial nefasta que quase devastou o parque industrial brasileiro. Com uma taxa nominal de juros que chegara a 46% no ápice da crise russa, o governo dos çábios tucanos explodiu a dívida pública interna, que passou de 60 bilhões de dólares em 1994 para mais de 800 bilhões de dólares em 2002;

__ A renúncia, por parte do Brasil, em ter um arsenal atômico dissuasório. A renúncia ao uso de armas atômicas foi feita de forma unilateral e vergonhosa. (O episódio emblemático do aluguel da Base de Alcântara ao governo americano foi bem ilustrativo dessa perda de poder da soberania. Felizmente, esse contrato vergonhoso foi cancelado pelo governo Lula);

__ A entrega das reservas minerais e energéticas aos americanos.( A venda subavaliada da Vale do Rio Doce foi o primeiro passo. A tentativa de vender, por uma ninharia, uma imensa reserva de nióbio (um metal raro e caro, do qual o Brasil detém 98% das reservas mundiais) em São Gabriel da Cachoeira (AM), felizmente abortada pela ação da Justiça Federal, foi outro episódio dessa mesma diretriz. (Os tucanos tentaram privatizar as reservas de nióbio a céu aberto de São Gabriel da Cahoeira, no Amazonas, em outubro de 1997. O governo tentou vender a reserva pelo preço vil de R$600 mil reais, enquanto a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM) a avaliara em US$1 trilhão de dólares. Como era curiosa a matemática tucana). Com a Petrobrás não lograram o êxito esperado. Talvez porque houve uma reação militar acima do esperado. Mas FHC entregou parcialmente o prometido: o fim do monopólio estatal na exploração do petróleo.

Com esse pacote ignóbil, o que tinha em mente o tucanato? Acreditavam piamente nas baboseiras que os gurus do neoliberalismo vertiam em pomposos seminários. Criam, de boamente, que o Brasil jamais seria uma potência no cenário mundial. No máximo, seria um entreposto privilegiado de matérias-primas para a metrópole e um consumidor das manufaturas do Império. E sob a batuta dos tucanos, o Brasil seria o melhor dos entrepostos, juravam entre si os próceres do PSDB. Seríamos um imenso Paraguai, fornecendo as matérias-primas que não já estivessem sob o domínio direto do Império, como o petróleo e os metais estratégicos. São Paulo seria uma grande Pedro Juan Caballero, vendendo no off os contrabandos da metrópole. Seríamos uma República de fancaria, onde os arremedos de indústria seriam maquilladoras, volantes como gafanhotos, sugando o que pudessem de nossa mão-de-obra barata. E o povo? Ora, o povo, na dialética tucana, sempre foi um mero detalhe.

Esse era o projeto tucano de poder, quando da assunção ao governo em 1995. Escorraçado pelo voto da maioria dos brasileiros em 2002 e 2006, esse projeto quer retornar em 2010. Virá embrulhado com uma nova roupagem. Pode vir até camuflado com as cores do nacionalismo e da defesa de um Estado forte. Mas se vocês atentarem bem, as mãos peludas, as orelhas, os dentes afiados e o rabão felpudo de lobo, são os mesmos. São os mesmos caracteres do velho lobo do imperialismo colonialista, incorporados no cavalo obsceno dos apátridas tucanos. E cabe a nós, brasileiros, que queremos legar uma nação soberana a nossos netos, rechaçá-los. Mais uma vez.

 

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Igor Romanov

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 17h20
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15/09/2010


A IDADE DAS TREVAS

 

CAPÍTULO VI - SOB FHC, A JUSTIÇA, APESAR DE CAOLHA, ENXERGA MUITO BEM

 

 

 

 

Continuando nossa saga desbravadora sobre a putrefação institucional que se abateu sobre o Estado e a soberania brasileira, durante a octaetéride Fernandina, hoje analisaremos o modelo de justiça que o tucanato sonhava implementar no país.

Com a assunção de FHC ao Planalto, em 1995, a cúpula tucana tinha pronto um plano de reformas para o Judiciário brasileiro. A espinha dorsal de tal plano consistia na extinção, pura e simples, da Justiça do Trabalho; sendo essa a principal exigência do board do FMI, Banco Mundial e a quase totalidade do empresariado brasileiro. FMI e Banco Mundial, com o argumento de que os custos das ações trabalhistas encareciam o Custo Brasil e tornavam-no menos competitivo para atuar no novimundo do neoliberalismo globalizado; o empresariado brasileiro, com raras exceções, inimigo figadal da Justiça do Trabalho desde priscas eras, reclamava que era impossível a atividade empresarial num mundo em que juízes trabalhistas teimavam em reconhecer os direitos trabalhistas (amiúde sonegados) dos empregados, e pior, teimavam em executar esses direitos, impondo à iniciativa privada pesados prejuízos. Bom mesmo era o tempo pré-revolução industrial, não é mesmo? Com uma suave carga horária de 14, 15 horas diárias e com a peãozada tratada a chicote! O PSDB nunca conseguiu esconder sua nostalgia pelo sistema escravocrata.

Com a argumentação primária, e mentirosa, de que a Justiça especializada do Trabalho era um ramo do Direito que só existia no Brasil, FHC e seus sequazes vieram pra cima do judiciário trabalhista, usando de todas as técnicas torpes, sujas e mentirosas. Tiveram a auxiliá-los, nesse trabalho sujo, a quase totalidade do estamento midiático brasileiro, além de seus escribas, verdadeiros cachorros de aluguel, mordendo a soldo. Poucas vezes se viu no Brasil uma campanha de desmoralização de um ramo do judiciário, tão sórdida como essa. Verdades eram ocultadas. Meias-verdades eram torcidas. Mentiras descaradas eram marteladas diuturnamente pela mídia, até virarem verdade (o embrião do PIG (Partido da Imprensa Golpista, segundo PHA), desenvolveu-se e estendeu seus tentáculos ai, nessa quadra infeliz da vida institucional brasileira).

Mas com todo esse aparato bélico partidário/empresarial/midiático, o tucanato perdeu. Inexplicável e surpreendentemente, perdeu. Talvez, as avis tucanae não contassem com o tamanho e o ímpeto da resistência por parte dos próprios integrantes da Justiça do Trabalho, aliados a segmentos importantes da sociedade organizada, como sindicatos de trabalhadores, associações de moradores e entidades da sociedade civil, como OAB, CNBB e de forma parcial, agentes políticos de todos os partidos da cena política brasileira. E também, parcelas da sociedade comum, do povo, aderiram espontaneamente às manifestações que se espalharam Brasil afora. Talvez, em sua sabedoria empírica de povo historicamente explorado pelo capital e pelas elites econômicas, a sociedade brasileira desconfiara que a mão peluda do tucanato estava a lhe armar uma presepada; estava a conduzir o Brasil a um retorno à Idade das Trevas, onde os conflitos entre capital e trabalho fossem resolvidos à bala!

Na parte da reforma do judiciário que versava sobre procedimentos judiciais comuns a todos os ramos e instâncias, o tucanato conseguiu seus principais objetivos: implementar a súmula vinculante, onde a cúpula do judiciário, na prática, cassa a independência funcional e a liberdade de convicção dos juízes de primeiro grau; e instituir o foro privilegiado para o julgamento de autoridades, durante e imediatamente após o exercício do poder. FHC, em seus delírios de príncipe, prevendo uma enxurrada de ações judiciais contra seus atos danosos à soberania nacional, tratava de cobrir sua retirada.

Hoje, passados aqueles tempos tormentosos da octaetéride ruinosa do tucanato, fica a pergunta: e se tivessem logrado êxito? O que seria o Brasil hoje? Com uma Justiça amansada, dócil, asséptica e caolha, mas que enxergasse muito bem a quem detivesse o poder e o dinheiro, talvez o Brasil tivesse se tornado um lugar bem pior de se viver. Talvez fôssemos um México piorado, com empresas maquilladoras que viessem nos explorar as riquezas e fossem embora; montando aqui, hoje, o que montariam amanhã, em Bangcoc. Talvez nem fôssemos mais o Brasil. Talvez fôssemos apenas mais uma estrela na bandeira americana.

Decididamente, FHC e o tucanato subestimaram a capacidade de reação do povo brasileiro. Ainda bem que foi assim. 

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Igor Romanov


Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 19h44
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