Terra Goyazes


23/11/2009


Adeus, Fernando Henrique

Adeus também foi feito pra se dizer

Adeus também foi feito pra se dizer

 

 

Do blog Brasília Eu Vi, de Leandro Fortes:

 

 

Fernando Henrique Cardoso foi um presidente da República limítrofe, transformado, quase sem luta, em uma marionete das elites mais violentas e atrasadas do país. Era uma vistosa autoridade entronizada no Palácio do Planalto, cheia de diplomas e títulos honoris causa, mas condenada a ser puxada nos arreios por Antonio Carlos Magalhães e aquela sua entourage sinistra, cruel e sorridente, colocada, bem colocada, nas engrenagens do Estado. Eleito nas asas do Plano Real – idealizado, elaborado e colocado em prática pelo presidente Itamar Franco –, FHC notabilizou-se, no fim das contas, por ter sido co-partícipe do desmonte aleatório e irrecuperável desse mesmo Estado brasileiro, ao qual tratou com desprezo intelectual, para não dizer vilania, a julgá-lo um empecilho aos planos da Nova Ordem, expedida pelos americanos, os patrões de sempre.
Em nome de uma política nebulosa emanada do chamado Consenso de Washington, mas genericamente classificada, simplesmente, de “privatização”, Fernando Henrique promoveu uma ocupação privada no Estado, a tirar do estômago do doente o alimento que ainda lhe restava, em nome de uma eficiência a ser distribuída em enormes lucros, aos quais, por motivos óbvios, o eleitor nunca tem acesso.

Das eleições de 1994 surgiu esse esboço de FHC que ainda vemos no noticiário, um antípoda do mítico “príncipe dos sociólogos” brotado de um ninho de oposição que prometia, para o futuro do Brasil, a voz de um homem formado na adversidade do AI-5 e de outras coturnadas de então. Sobrou-nos, porém, o homem que escolheu o PFL na hora de governar, sigla a quem recorreu, no velho estilo de república de bananas, para controlar a agenda do Congresso Nacional, ora com ACM, no Senado, ora com Luís Eduardo Magalhães, o filho do coronel, na Câmara dos Deputados. Dessa tristeza política resultou um processo de reeleição açodado e oportunista, gerido na bacia das almas dos votos comprados e sustentado numa fraude cambial que resultou na falência do País e no retorno humilhante ao patíbulo do FMI.

Isso tudo já seria um legado e tanto, mas FHC ainda nos fez o favor de, antes de ir embora, designar Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, o que, nas atuais circunstâncias, dispensa qualquer comentário.

Em 1994, rodei uns bons rincões do Brasil atrás do candidato Fernando Henrique, como repórter do Jornal do Brasil. Lembro de ver FHC inaugurando uma bica (isso mesmo, uma bica!) de água em Canudos, na Bahia, ao lado de ACM, por quem tinha os braços levantados para o alto, a saudar a miséria, literalmente, pelas mãos daquele que se sagrou como mestre em perpetuá-la. Numa tarde sufocante, durante uma visita ao sertão pernambucano, ouvi FHC contar a uma platéia de camponeses, que, por causa da ditadura militar, havia sido expulso da USP e, assim, perdido a cátedra. Falou isso para um grupo de agricultores pobres, ignorantes e estupefatos, empurrados pelas lideranças pefelistas locais a um galpão a servir de tribuna ao grande sociólogo do Plano Real. Uns riram, outros se entreolharam, eu gargalhei: “perder a cátedra”, naquele momento, diante daquela gente simples, soou como uma espécie de abuso sexual recorrente nas cadeias brasileiras. Mas FHC não falava para aquela gente, mas para quem se supunha dono dela.

Hoje, FHC virou uma espécie de ressentido profissional, a destilar o fel da inveja que tem do presidente Lula, já sem nenhum pudor, em entrevistas e artigos de jornal, justamente onde ainda encontra gente disposta a lhe dar espaço e ouvidos. Como em 1998, às vésperas da reeleição, quando foi flagrado em um grampo ilegal feito nos telefones do BNDES. Empavonado, comentava, em tom de galhofa, com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, das Comunicações, da subserviência da mídia que o apoiava acriticamente, em meio a turbilhão de escândalos que se ensaiava durante as privatizações de então:

Mendonça de Barros – A imprensa está muito favorável com editoriais.

FHC – Está demais, né? Estão exagerando, até!

A mesma mídia, capitaneada por um colunismo de viúvas, continua favorável a FHC. Exagerando, até. A diferença é que essa mesma mídia – e, em certos casos, os mesmos colunistas – não tem mais relevância alguma.

Resta-nos este enredo de ópera-bufa no qual, no fim do último ato, o príncipe caído reconhece a existência do filho bastardo, 18 anos depois de tê-lo mandado ao desterro, no bucho da mãe, com a ajuda e a cumplicidade de uma emissora de tevê concessionária do Estado – de quem, portanto, passou dois mandatos presidenciais como refém e serviçal.

Agora, às portas do esquecimento, escondido no quarto dos fundos pelos tucanos, como um parente esclerosado de quem a família passou do orgulho à vergonha, FHC decidiu recorrer à maconha.

A meu ver, um pouco tarde demais.

 

 

 

Roberto Ilia Fernandes


Escrito por Roberto Ilia às 22h19
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13/11/2009


The Economist: Brasil Decola

 

 

 

A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira.
Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.
A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.
A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”
No especial de 14 páginas, oito reportagens analisam as razões do sucesso econômico brasileiro e seus potenciais riscos.

 

É agora que FHC corta os pulsos!

 

Roberto Ilia Fernandes

Escrito por Roberto Ilia às 20h56
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07/11/2009


 


Protógenes e a missão




*Por João Vergílio G. Cuter

 

 

É fácil gostar do juiz Fausto de Sanctis. Ele não erra. Por mais que o ministro Gilmar Mendes o provoque, por mais que os advogados de Dantas lhe ofereçam ocasião para um deslize, ele não se desespera, não dá um passo em falso, não deixa que o ser humano se sobreponha ao cargo. Jamais escreveria uma carta aberta ao presidente Obama, sonhando com uma repercussão internacional que ele sabe perfeitamente que não existirá. O professor Pasquale (ou seu Ersatz) jamais catariam um errinho de português em seus despachos. Sabe sinalizar, nas entrelinhas de seu texto, o pano de fundo teórico de suas decisões, obrigando Gilmar Mendes a também ter que explicitar as suas, quando o combate. Leva o debate para um plano no qual um simples pé na bunda seria visto por todos como prova, não apenas de truculência, mas também de despreparo. Além disso tudo, é incorruptível. Quem não admira um homem assim?

Protógenes Queiroz não é tudo isso. Foi apenas um excelente delegado – um dos mais conceituados dentro da Polícia Federal. Quando falou a respeito da máfia chinesa no Brasil, Misha Glenny, um dos maiores jornalistas em atividade de todo o mundo, rasgou elogios à sua atuação no caso. Obstinado, dedicava tempo integral aos casos sob sua responsabilidade. Seus arquivos pessoais, criminosamente devassados ao público, mostram bem isso. Convencido de que o esquema de Daniel Dantas estendia-se à imprensa, passou a fazer um acompanhamento diário dos jornais, anotando, para uso estritamente pessoal, todo e qualquer indício de participação. Estava na pista certa, e teria sabido separar o joio do trigo, caso o inquérito que conduzia não tivesse sido abortado pelo vazamento, obrigando-o a produzir um relatório a toque de caixa, juntando de maneira um pouco caótica as evidências que tinha colhido até ali. Sabia do poder de corrupção de Daniel Dantas, e sentia na pele, a cada obstáculo que se interpunha em seu trabalho, a presença desse poder no seio da própria corporação em que trabalhava. Resolveu unir-se ao único homem em quem realmente confiava – o delegado Paulo Lacerda, atualmente exilado em Lisboa. Aproveitou-se das brechas da lei para criar uma equipe de funcionários da Abin que lhe permitisse levar adiante o trabalho distribuindo tarefas e mantendo o controle da operação. Fez o que pode para honrar seu cargo.

Voltaram-se contra ele os quatro poderes da República. No executivo, Nelson Jobim; no Legislativo, uma verdadeira tropa de choque, capitaneada por Arthur Virgílio e Raul Jungmann; no Judiciário, ninguém menos que o presidente do Supremo Tribunal Federal; na imprensa, a revista Veja, o Estadão, a Folha e a Rede Globo. Todos unidos contra um delegado, golpeando-o diariamente, sem piedade, na mais poderosa campanha contra um indivíduo a que já tive a oportunidade de assistir.

Não é fácil, mesmo, gostar do delegado Protógenes Queiroz. Tem o estilo e o português claudicantes dos inquéritos policiais. Mistura citações que traem essa falta erudição que tanto irrita os intelectuais de Higienópolis. No olho do furacão, às vezes mostra todo o pavor que qualquer um de nós sentiria se estivesse na situação que ele teve que enfrentar, e que agora, com sua demissão, chega ao desenlace. Alia-se à esquerda mais atrasada do país, deixando nas mãos de seus adversários a acusação fácil de que agia movido por paixões ideológicas. Joga de guarda aberta, movido por uma crença quase messiânica no poder da verdade. Às vezes, mete os pés pelas mãos.

Apesar de tudo isso, eu o admiro acima de qualquer outro brasileiro, hoje. Ele é, para mim, o símbolo do homem honesto, incorruptível, capaz de enfrentar o mundo pelos ideais que professa – tudo isso que uma sociedade desossada, movida pelo interesse, nos ensinou a desprezar. Tivesse aceitado aquela dinheirama que lhe foi oferecida, estaria hoje confortavelmente sentado em sua sala, com ar condicionado, salários pagos pontualmente, recebendo homenagens, promoções, tapinhas nas costas, risadinhas cúmplices. Optou pelo Calvário, e ficou sozinho, entregue a seus carrascos. A hipocrisia nacional cairá sobre ele na forma de comentários sóbrios, editoriais sensatos, opiniões abalizadas expressas no melhor português, num estilo impecável. Há um clima de alívio no ar. O monstro está no chão, derrotado, imóvel. Os computadores de Daniel Dantas são mesmo indevassáveis, e todos estão perfeitamente avisados daquilo que acontece a quem tem a ousadia de tentar devassá-los. De agora em diante, todo aquele que quiser colocar seu dever acima das conveniências, estará na obrigação de se perguntar, primeiro, se é suficientemente perfeito para enfrentar as consequências de sua temeridade. Quem se habilita?

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 21h36
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31/10/2009


 

Honduras: gol do Brasil

 

Fonte: Desabafo País

 



“O Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito.

Flávio Aguiar, Agência Carta Maior

Foi o Secretário (equivalente a Ministro no Brasil) Thomas Shannon Jr. sair do banco de reservas e entrar em campo para Micheletti, o presidente golpista em Honduras, afinar e aceitar alguma forma de acordo. Pudera: além de levar para a área de Micheletti o risco dos EUA não reconhecerem a eleição de novembro sem um acordo com Zelaya, Shannon levava também por debaixo do pano a ameaça de que isso redundasse na retirada dos milhões de dólares da ajuda norte-americana ao país, cujo governo ficaria então, literalmente, pendurado no pincel e sem escada para descer, ameaçando esborrachar-se.

Mas não nos iludamos. Neste jogo perigoso o gol não foi norte-americano. O gol foi do Brasil, na verdadeira folha seca que foi, em curva pelo lado da barreira, como fazia Waldir Pereira, o imortal Didi, o acolhimento de Zelaya na nossa embaixada em Tegucigalpa. Os norte-americanos escaparam isso sim de marcar um gol contra, ameaçados que estavam de uma conivência velada com os golpistas por omissão, o que arruinaria de vez a política do presidente Barack Obama para a América Latina, além de mergulha-lo no descrédito.

Esse descrédito não seria apenas externo. Seria interno também. A partir de um fracasso de Obama na questão, os republicanos e seus lobistas mais à direita fariam gato e sapato com tudo o que o novo governo tentasse fazer, em qualquer frente, inclusive na área da saúde.
Aparentemente foi mais complicado negociar internamente no próprio governo norte-americano do que soltar a pelota na área de Micheletti e mandar escrever, senão o pau ia comer na pequena área.

Por seu lado, o Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito. Junto com a aprovação da entrada da Venezuela na Comissão de Relações Exteriores do Senado, esse acordo em Tegucigalpa, possibilitando que Zelaya deixe a embaixada para o Palácio Presidencial, ou pelo menos encaminhando a questão nesse sentido, é uma grande vitória para o governo e sua política interna e externa. “O Brasil estava certo”, é o que se pode ler nas entrelinhas de qualquer noticiário. Foi a intervenção brasileira, acolhendo Zelaya, que abriu a oportunidade e ao mesmo tempo forçou os Estados Unidos a agirem.

Se os golpistas, apesar das repetidas juras de Micheletti em sentido contrário, atentassem contra a embaixada, os Estados Unidos e sua omissão seriam co-responsáveis pelo que viesse a ocorrer. E ficou mais uma vez comprovado que o Brasil tornou-se um jogador indispensável dentro dessas quatro linhas, que é a complicada quadratura do círculo da política regional e mundial.”



Roberto Ilia Fernandes

 

Escrito por Roberto Ilia às 20h23
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08/10/2009


Intratec, de Houston, seria fonte de dossiê contra Petrobras

 

*Fonte: Blog do Azenha

Atualizado em 08 de outubro de 2009 às 12:39 | Publicado em 08 de outubro de 2009 às 10:48

Vamos encaminhar aos senadores tucanos abaixo citados essa denúncia de um leitor:

DOSSIÊ TUCANO FOI ELABORADO POR EMPRESA DE HOUSTON, TEXAS

Após a sessão de terça-feira passada da CPI da Petrobras, os senadores do PSDB, Álvaro Dias e Sérgio Guerra, passaram para quatro jornalistas um dossiê sobre a Petrobras. Uma das redações visadas foi a do Valor.

Segundo eles, o "relatório" teria sido elaborado pela assessoria técnica do PSDB. Mas isso não é verdade. O dossiê foi feito pela empresa INTRATEC, com sede em Houston e filiais na Argentina, México e Brasil.

Além dos tucanos, a INTRATEC presta serviços de consultoria para grandes multinacionais petroleiras, interessadíssimas em desmoralizar a Petrobras, de olho no filão de exploração do pré-sal. Consta que estariam recebendo 700 mil reais por esse serviço.

Há pouco tempo a imprensa que resiste ao PIG divulgou que os tucanos estavam contratando assessoria de uma empresa de Houston, fato negado por eles. Pois aí está a tal empresa que a turma da Petrobrax tenta esconder.

No site
www.intratec.us pode-se encontrar mais informações sobre ela. Considerando tudo isso, esse dossiê é, no mínimo, suspeitíssimo.

Nota do Viomundo: O Estadão já faz perguntas à Petrobras baseadas no relatório da "assessoria técnica" do PSDB, conforme consta no blog da Petrobras: Gostaríamos de obter uma resposta oficial da Petrobras sobre o seguinte levantamento feito por assessoria técnica do PSDB para reportagem que deve sair no segundo clichê do jornal O Estado de S. Paulo de amanhã. Clique aqui para ir ao blog da Petrobras

Roberto Ilia Fernandes

Escrito por Roberto Ilia às 13h22
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24/09/2009


Censores em ação: download interrompido na marra!

 

 

Censores em ação: download interrompido na marra!

Primeiro, a internet violentou o papel em sua essência física, palpável, dogmática. Roubou à História da escrita o movimento manual da pena e o batuque, ora mecânico, ora elétrico, das máquinas de escrever de outrora. Minou, por assim dizer, o essencial, a rotina, para então começar a dizimar os modelos. Em pouco mais de uma década, derreteu a credibilidade e expôs as intenções das ditas mais sérias empresas de comunicação do Brasil, apesar da permanente tensão provocada pela expectativa de cerceamento e censura. Aliás, uma tentação autoritária pela qual, ao que parece, o Senado da República ensaia se ajoelhar. São sinais dessa tormenta em que vive o jornalismo brasileiro, confinado num vazio que se estende no éter de um rápido processo de decadência moral, em parte resultante de maus hábitos de origem, como o arrivismo e a calúnia pura e simples, mas também porque sobre as redações paira um ar viciado e irrespirável cheio de maus agouros de mudança, ou melhor, de status.

São ventos recentes, os da internet, que nem marolas faziam nos primeiros anos de concentração de usuários e funcionamento da rede mundial de computadores. Como fenômeno de jornalismo, foi preciso esperar que o ambiente virtual deixasse de ser eminentemente transpositivo, na verdade, uma cópia digital dos jornais, para surgir um espaço editorial novo, essencialmente individual, mas nutrido pelas idéias do coletivo. Definidos de forma simplista, no nascimento, de diários eletrônicos, os blogs se fixaram como um instrumento de comunicação social poderoso, a ponto de se tornarem subversivos, no melhor sentido da palavra. Passaram a devorar velhos esquemas como uma nuvem de insetos, milhões deles, em crescimento exponencial. Tornaram-se, na singular definição do ministro-jornalista Franklin Martins, “grilos falantes” da mídia e inauguraram uma regulação ética nominal e permanente do noticiário. Dentro desse papel, os blogs independentes têm conseguido desmascarar, muitas vezes em tempo real, tradicionais espaços editorais voltados, historicamente, para a manipulação e distorção de matérias jornalísticas a soldo de interesses inconfessáveis. Tornaram-se, em pouco tempo, imprescindíveis.

Pensei nisso tudo por várias razões, mas principalmente porque tenho que falar, no final de outubro, com estudantes de jornalismo da Universidade de Maringá, no Paraná, sobre o fenômeno da blogosfera e discutir as razões desses maus tempos de jornalismo em que vivemos. Mas também porque a animosidade das velhas elites políticas brasileiras com a internet alcançou seu paroxismo nesse projeto inacreditável assinado pela dupla de senadores Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), de restrição de liberdade na rede mundial de computadores. Onde estão os freios dessa gente? Ainda que não houvesse muitos motivos para repudiar uma intenção de censura no mais democrático ambiente de comunicação da cultura humana em todos os tempos, bastaria um – o da civilidade – para fazer calar esse clamor de alcova que nos envergonha.

Trata-se de uma tentativa primária, nos métodos e na intenção, de conter o poder iconoclasta e o viés crítico da internet, notadamente dos blogs. Pretende-se amordaçar uma rede formada, apenas no Brasil, por 64,8 milhões de pessoas, segundo pesquisa do Ibope publicada em agosto de 2009, ou seja, no mês passado. O instituto calcula que esse número cresça, na próxima década, cerca de 10% ao mês. Portanto, mais do que dobrando de tamanho em 10 anos, a depender da intensidade das diversas políticas de inclusão digital capitaneadas pelo governo do PT. Pensar em controlar o torvelinho de informação circulante, hoje, na internet, é um exercício absoluto de arrogância, quando não de ignorância. É um exagero surpreendente, até mesmo em se tratando de uma iniciativa dessa triste e reacionária elite política e econômica brasileira. De minha parte, não acredito que o Brasil vá aceitar, inerte, essa bofetada do atraso.

Eu não vou.

 

 

Alberto Bilac de Freitas

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 22h22
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13/09/2009


A BLOGOSFERA CONTRA A MATRIX MIDIÁTICA

 

*Fonte: Blog do Nassif

 

 

 


Alberto Bilac de Freitas


Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 18h52
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07/09/2009


E O LULA DEU UM NÓ NA OPOSIÇÃO

 

 

 

 

* Do leitor Antônio Alemão

 

 

NÓ DE MUCUIM

 


O que Lula está fazendo com a oposição chama-se na minha terra de “dar nó de mucuim no adversário” : o enrolado prefere não se soltar; e quando se solta, fica completamente abestalhado e sem saber o que fazer.

E a grande mídia, que apoia qualquer estupidez do Serra, também está completamente enrolada. Depois do “escândalo” da Lina Vieira perdeu a vez de ditar a pauta, que passou a ser o pré-sal. E se as pessoas começarem a discutir este assunto no Brasil inteiro, adeus Serra em 2010.

É a inteligência do “analfabeto” botando todos os “letrados” no bolso. Nem eu, discípulo de Maquiavel, pensaria em coisa mais ardilosa.

A oposição está mais enrolada do que carretel de linha 50.



Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 14h25
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26/08/2009


A Desmontagem do Factóide Lina Vieira

 

*Fonte: Blog do Nassif

 

 

 

 

 

Comentário

 

 

O comentário inicial lido por Mônica Waldvogel é vergonhoso, antijornalístico, desonesto, porque desmentido ao longo de todo o programa pelos três entrevistados convidados pelo programa. A Globonews perdeu o rumo.

Os três convidados são unânimes em afirmar que politização ocorreu na fase de Lina Vieira, não agora. Mônica atropela as conclusões da mesa redonda, desrespeita os telespectadores ao antecipar conclusões falsas. Principalmente sabendo-se que a abertura sempre é feita após o programa, com base nas conclusões levantadas.

O presidente do Sindifisco denuncia o aparelhamento da Receita… por Lina. Mostra que o pedido de demissão coletiva dos antigos superintendentes foi apenas uma antecipação para demissões que ocorreriam. O advogado tributarista nega crise na Receita. Disse que está mais preocupado com as taxas de juros dos bancos e temas mais relevantes.

Mônica tenta se socorrer do ex-Secretário da Receita Everardo Maciel, da gestão FHC, pedindo que confirme a politização. Everardo diz que a politização ocorreu com Lina e que agora não há ingerência política, porque é atribuição do Ministro definir o Secretário.

Depois disso tudo, Mônica volta ao papo de que Mantega estaria pressionando para não apertar os grandes contribuintes. Os entrevistados negam. Everardo mostra que esse foco nos grandes contribuintes começou em sua gestão. Mônica diz que houve aumento na arrecadação dos grandes contribuintes na gestão Lina. Everardo desmonta com números.

Mônica vem com a história da opção do regime de caixa pela Petrobras foi manipulação. Everardo é incisivo: a Petrobras está certa. O factóide criado foi para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina - embora diga que a queda tem muitos fatores, entre os quais a crise.

Mônica: se fosse tão clara a possibilidade de mudar o regime no meio do ano, não haveria essa controlvérsia.

Everardo: a regra é clara e foi feita em 1999 justamente para enfrentar o problema da desvalorização cambial.

Mônica: mas até agora a Receita está para soltar um parecer.

Everardo e os demais: já foi feito, concordando com a Petrobras. Essa prática existe há muito tempo, não existe qualquer ilegalidade ou manobra contábil.

Mônica, balbuciando: a lei foi feita. Houve então uma manipulação da opinião pública?

Todos concordam com a cabeça.

Aí ela deriva a entrevista para o caso Sarney, perguntando se é legítimo pressionar a Receita para abrandar a fiscalização.

O presidente do Sindicato disse que é impossível essa pressão, que nunca essa informação correu na Receita. Disse que sempre trabalhou próximo à chefia da Receita, tanto no governo FHC e Lula, e nunca viu esse procedimento. O chefe da Receita conversa com políticos todos os dias. Mas esse tipo de ingerência é novidade para a gente.

Everardo disse que se ocorreu, o momento certo seria na época em que foi feita. Se não fez, cometeu prevaricação.

Conclusão final: Lina foi um desastre para a imagem da Receita e caberá a todos os funcionários trabalharem para o resgate de sua imagem.

Assista o programa e depois volte à abertura.


Enviado por: luisnassif

 

 

*Ps: Com uma oposição trapalhona dessas, a Dilma se elege no primeiro turno, em 2010.

 

 

Roberto Ilia Fernandes

 

Escrito por Roberto Ilia às 08h29
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21/08/2009


Os Arns: o virtuoso e o sandeu

 

 

O PT é um partido sem mídia
O PSDB é uma mídia com partido


Mauro Carrara

 

 

 

Conheci o virtuoso pessoalmente, na década de 70. Eu era clandestino aqui e fingia ser ninguém na Itália.

Eu tinha muito nomes, utilizados para manter a integridade numa época em que eletrochoques, afogamentos e assassinatos faziam parte da disputa política.

Dom Paulo Evaristo Arns me pareceu um sujeito prático, menos místico do que eu imaginava. Resolvia as coisas com rapidez, movido por um evoluído senso de “redução de danos”.

Quanto menos gente morresse, melhor.

Arns, o virtuoso, aprendera muito com o Concílio Vaticano II e com o altruísmo pragmático de João XXIII.

Meu interesse, à época, era jornalístico. Procurava divulgar no Exterior a resistência à Ditadura na América Latina.

Nas duas entrevistas, acabamos por falar muito sobre nossa paixão comum, o Corinthians, que nos Anos de Chumbo simplesmente não ganhava nada.

Arns, o virtuoso, tinha uma paixão pelo povo sofrido, que ele via erguer a bandeira do clube dos operários, imigrantes e migrantes.

Nessas ocasiões, convenci-me de que o bom Arns era um homem de valores, ético de verdade. Nem de longe, todavia, me pareceu um moralista.

Por meio da Comissão Justiça e Paz e de outros movimentos, entabulou inúmeras conversações com os cafajestes que mantinham o regime de exceção.

Para poupar vidas, o arcebispo ofereceu mais que absolvição. Prometeu aos verdugos até mesmo o silêncio estratégico.

Como bom negociador, tirou muitas almas das garras do implacável general Milton Tavares de Souza, o Miltinho, homem forte do Centro de Informações do Exército (CIE) e Comandante do II Exército.

O Arns virtuoso (e inteligente) soube negociar com o general Golbery do Couto e Silva. Obviamente, efetuou trocas necessárias, táticas e que certamente seriam aprovadas pelo insurreto de Nazaré.

Ora, mas temos agora outro Arns na cena política. Este, o sandeu, já demonstrou inúmeras vezes que pouco conhece da história do tio.

Politicamente, o parlamentar paranaense, camarada de Álvaro Dias, mistura a vaidade e a ingenuidade. Adora o elogio fácil e a confetaria midiática.

Ao contrário do parente nobre, o discurso de Arns sandeu é ralo, pobre e tem como alicerces os clichês da ética ongolóide.

O Arns sandeu pouco conhece de estratégia política e pratica o moralismo hipócrita dos carolas pré-conciliares.

Não é à toa que esse Arns menor aninhou-se logo entre os rapineiros tucanos. Sua mísera cultura política obteve ali.

Um de seus grandes amigos é o bandalho Arthur Virgílio, o mais imundo dos representantes da Câmara Alta, que costuma santificar em seus discursos de sintaxe torta.

O sandeu moralista faz de conta que seu “chapa” nunca meteu a mão no bolso do contribuinte. Ao mesmo tempo, recusa-se a comentar a intervenção de Virgílio para salvar o comparsa Omar Aziz na CPI da exploração sexual de crianças e adolescentes.

Em Julho, pelos serviços prestados ao anti-lulismo, o Arns sandeu chegou a ser indicado pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, para ocupar o lugar de Sarney na presidência do Senado, episódio decisivo para convertê-lo em um dos protagonistas do movimento golpista.

Arns, o sandeu, faz de conta que Lina não é pau-mandado, que Agripinos e Tassos são vestais e que a fonte de todos os males do Brasil é o partido (mudo) do operário.

Talvez, o Arns duas caras não seja apenas sandeu, mas também cínico. Saudações à crise, que nos revela o melhor e o pior das pessoas. Saudações ao Arns virtuoso, e que este reserve uma oração ao sandeu.

 

Fonte: Blog do Azenha

 

 

Alberto Bilac de Freitas


Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 20h23
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18/08/2009


Vox Populi contradiz Datafolha e mostra Serra com 30%, Dilma com 21%, Ciro com 17%

 

 

*Fonte: Blog do Azenha


Pesquisa foi publicada hoje (18.08.2009) pela TV Bandeirantes. A  armação não era para mostrar a queda de Dilma. A armação era para não mostrar a queda de Serra.


 

Bye bye Serra 2010!

 

 

Roberto Ilia Fernandes

Escrito por Roberto Ilia às 21h58
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15/08/2009


A BLOGOSFERA VIOLENTOU O ESGOTO DO PIG

 

 

 

Pesquisa Datafolha divulgada hoje, 15.08.2009, mostra os seguintes resultados:

 


1 - José Serra - 36%

2 - Dilma Roussef - 17%

3 - Ciro Gomes - 14%

4 - Heloísa Helena - 12%

5 - Marina Silva - 3%

 

 


Duas constatações óbvias:

 


1) A reunião golpista feita no apartamento de FHC, para fraudar pesquisas e dar uma queda na popularidade de Dilma por conta do Sarney, falhou! Acho que o próprio Datafolha achou esse pessoal aloprado demais;

2) A entrada de Marina no jogo, ao contrário do que sonha as vivandeiras da oposição, não tira votos de Dilma e sim de Serra!


Resumo da ópera: a coisa, que já estava ruim para a oposição golpista e seu fiel aliado, o PIG, piorou bastante! Como diria o FHC, assim não pode, assim não dá!

 


 

Alberto Bilac de Freitas

 

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 19h35
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13/08/2009


TV RECORD CRAVA UMA LANÇA NO CORAÇÃO DO PIG (A GLOGO)

 

(veja primeiro o post abaixo)

 

E mais isso:

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 13h02
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TV RECORD CRAVA UMA LANÇA NO CORAÇÃO DO PIG (A GLOGO)

 

Veja isso

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 12h59
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11/08/2009


MONTADORA CAOA-HYUNDAI CONTRATA MAIS 950 TRABALHADORES EM ANÁPOLIS

 

 

 

O grupo Caoa-Hyundai abriu contratação de mais 950 trabalhadores para sua montadora em Anápolis - Go. A intenção da empresa é montar o seu jipe utilitário esportivo Tucson em sua unidade goiana.

Dois fatos positivos dessa notícia:

1) O processo fabril automotivo está saindo de São Paulo e se descentralizando, Brasil a dentro;

2) A oposição golpista (PSDB/DEM/PPS), aliada à mídia, que apostaram na crise econômica para sangrar o governo Lula, ficaram com as calças na mão!


Bye-bye Serra 2010!

 

 

 

Alberto Bilac de Freitas

 

Escrito por Alberto Bilac de Freitas Nobre às 12h19
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